Dilma anuncia mais 5 ministros e desiste de dar aeroportos para PSB

O risco de uma crise aérea durante o recesso de fim de ano fez a presidente eleita, Dilma Rousseff, desistir de entregar ao PSB o Departamento de Aviação Civil (GSI) e manter a Pasta atrelada ao Ministério da Defesa. Numa das poucas mudanças na estrutura administrativa cogitada pelo novo governo, o DAC seria incorporado à Secretaria de Portos, comandado atualmente por Pedro Brito, filiado ao PSB.

Informações passadas à Dilma revelaram, contudo, a possibilidade de um colapso no setor aéreo, a começar pela ameaça de greve dos aeroviários a partir do dia 23 de dezembro podendo estender-se até o fim das férias escolares, em fevereiro.

Dilma anunciou ontem os nomes de Fernando Bezerra Coelho para o Ministério da Integração Nacional e Leônidas Cristino para a Secretaria de Portos, ambos pela cota do PSB. Além disso, foram anunciados o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o general de Exército José Elito Carvalho para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a permanência de Jorge Hage à frente da Controladoria-Geral da União (CGU).

A mudança de planos quanto à Secretaria de Portos e Aeroportos foi avisada ao PSB durante reunião na Granja do Torto, na tarde de ontem. Dilma até concordaria em ceder ao PSB a administração dos Aeroportos caso Ciro Gomes aceitasse ser o ministro. Mas Ciro e o governador do Ceará, Cid Gomes, decidiram indicar o prefeito de Sobral, Leônidas Cristino. Diante do enorme problema no setor, Dilma desabafou aos interlocutores do PSB: “Não faz sentido um prefeito de uma cidade que não tem porto nem aeroporto administrar uma Secretaria de Portos e Aeroportos”.

Desde a campanha, a presidente eleita pretendia encontrar um nome de peso para tentar evitar o caos aéreo no país. Como o Ministério dos Transportes estava na cota do PR, Dilma chegou a cogitar indicar o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para a Secretaria de Portos e Aeroportos. Mas ela não quis nomear Meirelles em sua cota pessoal e o PMDB não aceitou que ele entrasse na conta dos ministérios da legenda. Sem acordo, o atual presidente do Banco Central abandonou o projeto de continuar na vida pública e decidiu voltar à iniciativa privada a partir de 1º de janeiro.

As negociações de Dilma com o PSB foram tumultuadas desde o início. Com seis governadores eleitos e um aumento expressivo na bancada parlamentar, especialmente no Senado, o partido resolveu negociar maior espaço no futuro governo. Abriu mão do Ministério da Ciência e Tecnologia e retomou a Integração Nacional – Pasta ocupada por Ciro Gomes durante o primeiro mandato de Lula que estava com o PMDB desde 2007.

Durante as negociações para a composição da equipe ministerial, Dilma resolveu ligar para Ciro Gomes convidando-o para ser ministro. Além de ter uma afinidade pessoal com o político cearense – ela gostaria de ter o aliado ao seu lado na foto oficial de 1º de janeiro – a Dilma interessa dividir o poder no PSB, transformando Ciro em um contraponto ao poder político do presidente do partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Ciro aceitou o convite e constrangeu todo o partido. Foi preciso, então, encontrar um novo arranjo político. Em um primeiro momento, Ciro retornaria para a Integração Nacional e Fernando Bezerra Coelho – indicado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos – iria para a Secretaria de Portos, acrescida da Aviação Civil, que sairia da órbita do Ministério da Defesa.

Durante reunião em Recife, no domingo, Ciro voltou atrás e desistiu de ser ministro. Não interessava a ele voltar ao Ministério da Integração Nacional nem administrar a Secretaria de Portos e Aeroportos. Ciro gostaria de assumir o Ministério da Saúde, mas a Pasta já estava destinada ao atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Fonte : Valor Online

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Meirelles deve manter Selic em sua despedida do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nas próximas terça e quarta-feira pela última vez sob o comando do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Deverá, conforme a visão amplamente majoritária do mercado financeiro, manter a taxa básica de juros (Selic) nos atuais 10,75% ao ano.

Na semana passada, as apostas em alta da Selic já em dezembro estavam crescendo por conta dos recentes (e elevados) índices de preços, mas a decisão do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional (CMN) de adotarem medidas para restringir o crédito a pessoas físicas e retirar R$ 61 bilhões de circulação da economia por meio da alta nos depósitos compulsórios derrubou as apostas, sancionando a tese de manutenção da Selic.

Foi certamente a última medida de impacto tomada por Meirelles, que sairá do BC com o presidente Lula. Em seu lugar assumirá Alexandre Tombini, já escolhido pela presidente eleita Dilma Rousseff.

Dono do recorde de permanência à frente do BC, Meirelles enfrentou pressões internas de petistas no início do primeiro governo de Lula para baixar os juros, principalmente pela ala comandada pelo ex-ministro José Dirceu. Mas ele não as aceitou. Chegou a ser cobrado publicamente por isso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto. “Presidente Lula, o Meirelles tem de baixar os juros”, disse Mantega. Meirelles não respondeu. Com sua política, conseguiu manter a inflação sob controle.

Fonte : Valor Online

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